Ser “alternativa” já foi sinônimo de ruptura visível. Era o preto contra o colorido do mundo, o estranho contra o comum, o grupo contra a norma. Hoje, porém, ser alternativa não é mais um uniforme é um estado interior.Mas ainda existe um outro tipo de alternativa:Ela não precisa de tribo fixa, nem de rótulo, caminha entre subculturas sem se prender, mistura doçura e melancolia, sombra e delicadeza. A alternativa de hoje pode ser introspectiva, quase invisível, uma presença suave que resiste mais por sensibilidade do que por confronto. Não é necessariamente oposição ao mundo, é muitas vezes, refúgio dele.
Ser alternativa hoje pode significar:
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escolher profundidade num tempo superficial
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cultivar interioridade quando tudo exige exposição
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sentir intensamente em um mundo anestesiado
- construir identidade como processo, não como etiqueta
Há algum tempo venho pensando sobre essa palavra alternativa, ela já me pareceu tão concreta, quase palpável. Como se fosse possível apontar: está ali, naquele modo de vestir, naquela música, naquela postura diante do mundo, mas hoje, quando olho com mais silêncio do que certeza, sinto que ser alternativa se tornou algo menos visível e muito mais interno,não é mais sobre pertencer completamente a um lugar,talvez nunca tenha sido.
Ser alternativa, para mim, não é resistência barulhenta, é permanência. É uma forma delicada de não se dissolver, não se trata de ser contra tudo, mas de não se abandonar para caber. Há uma suavidade nisso e também uma solidão inevitável. Ser alternativa, hoje, talvez seja algo quase imperceptível para o mundo exterior, não é necessariamente sobre parecer diferente, mas sobre continuar sendo, mesmo quando tudo empurra para a diluição.
Entre idas e vindas, eu ainda resisto e mesmo que eu tenha tentando viver mais no Mainstream, isso não funcionou para mim.Era como se uma parte de mim faltasse, como se minha essência estivesse sido privada de ser do jeito que é. Nunca procurei pertencer a um grupo especifico, eu apenas tento desde meus doze anos manifestar minha excentricidade e individualidade como ela é, como a Marcela de fato é. Não é sobre ir a eventos e tão pouco ouvir música alternativa, eu gosto de Kpop, aprendi a gostar!É se reinventar, evoluir a cada dia e a cada fase da vida, sem deixar de reivindicar o seus direitos e não se permitir podar para caber.
Não é sobre consumismo para ter uma roupa bonita para dar close em rede social, é tentar sorrir quando olhares tortos lhe cercam, quando aquela amizade tem vergonha de você, mas sabe que é cômodo ficar como amigo, é quando seus parentes questionam sua maturidade e seu senso de responsabilidade, única e simplesmente pela roupa que você usa, nesse aspecto roupa é apenas roupa, muitas vezes descartável quando você está de corpo presente.É estado de espirito e direito de ser quem é e como é.
Confesso que eu detesto pertencer a grupos, pessoas são pessoas e não representam aquilo que elas vestem ou ouvem (quando dentro da salubridade, claro), minhas melhores e mais sinceras amizades foram fora do meu nicho, não que eu não tenha tido amizades dentro dele, mas quando se tem que lutar todos os dias contra certos preconceitos e exclusão, convivência para algumas pessoas vira campo de batalha.Ser preta e alternativa é se esforçar duas vezes mais para se provar. Acredito que até dentro do próprio meio, sendo que algumas vertentes é elitista, extremista e completamente preconceituosa, porque sim, infelizmente há conservadorismo em todos os lugares, algo que não deveria ter em uma contracultura, mas é uma doença que infecta muitas pessoas.
Acredito que o maior ato de resistência, independente de quem você seja, é permanecer fiel a sua essência.Mesmo que muitas vezes você seja obrigado a muda-la e isso te entristece. Mas quem disse que há jeito certo em ser você mesmo? Isso é injusto, é desleal e nem um pouco orgânico!Algumas pessoas performam, isso é um fato. Outras vendem uma imagem nem um pouco verissímil, mas isso, independe de subculturas ou não.Eu acredito, que independente de rede social, você tem que ser você mesmo.Sei que de fato as mesmas redes nos condicionaram a fazer tudo em função delas, mas não é difícil se desfazer de certos costumes, é um árduo caminho, mas quando a gente para de fazer as coisas para agradar certas audiências, no começo as coisas podem parecer solitárias, mas no fim, é libertador.
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É permanência silenciosa e às vezes, isso basta.


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